O que fazer quando as coisas não saem exatamente como se espera? Que direção tomar quando obstáculos começam a atravancar a caminhada? O que restará se tudo for por água abaixo?

Perdas, decepções, erros de estratégia, acidentes ou infortúnios são adversidades que podem se abater sobre nós a qualquer momento e para as quais, em geral, não estamos preparados para lidar.

Nosso cotidiano corrido e atribulado pouco colabora no sentido de nos levar à reflexão, ao menos de vez em quando, sobre o fato de que todos nós, sem exceção, estejamos sujeitos a mudanças bruscas inesperadas, capazes de causar consequências inimagináveis em nossas vidas.

Assim, sem muito pensar ou preocupar, seguimos vivendo até o incômodo momento em que uma intercorrência qualquer nos leva à pergunta: E agora?

Nessas horas, a existência de uma alternativa tranquilizadora capaz de nos fazer enxergar uma “luz no fim do túnel” e transmitir um pouco de segurança e confiança pode servir como tábua de salvação e livrar do completo naufrágio, seja ele emocional, financeiro ou profissional.

Esse projeto alternativo também conhecido como “plano B”, no entanto, não se limita, necessariamente, a coisas ruins.

Pode ser um sonho acalentado, pode ser a descoberta de um potencial ou pode surgir por mero acaso, numa daquelas ocasiões em que, com um sorriso no rosto, nos damos conta do porquê não ter pensado naquilo antes.

Faltando alguns meses para me aposentar, uma amiga me questionou: “Por que você vai parar de trabalhar? Ainda é jovem para ficar em casa sem fazer nada”!

O que minha amiga não sabia, ainda, é que há tempos eu vinha me preparando para me dedicar à escrita como forma de me sentir viva e produtiva após a aposentadoria. Escrever era o meu “plano B”. Uma nova opção de vida a ser adotada após o rompimento dos vínculos que por mais de três décadas me mantiveram ligados à carreira profissional.

Independente do momento pelo qual se está passando, seja uma aventura, uma tragédia, uma expectativa, uma perda irreparável ou uma tomada de decisão, estar de posse de um “plano B” é estar preparado para o que der e vier. Elaborá-lo requer paciência, tempo e organização para que a construção dessas ideias, que podem ou não ser postas em prática, alcancem o objetivo definido.

Não está bom? Reveja! Não está gostando? Repense! Quer um pouco mais? Batalhe! Deseja novos ares? Invista! Uns quilinhos a menos? Planeje! Seu sonho de consumo? Lute!

“Plano B” existe para isso. Para ficar ali, guardadinho numa gaveta do coração, amadurecendo, pronto para entrar em cena ou para ser arquivado em definitivo no caso de não ser preciso ou de não se querer utilizá-lo.

Eu construí minha vida pessoal e profissional em cima de “planos B”. Sempre prontos e preparados para me auxiliar.

E não sou só eu que faço isso, não.

Imaginem vocês, que a produtora de filmes do ator Brad Pitt se chama “Plano B”. Pois é, eu e ele temos essa alguma coisa em comum! Apostamos em “planos B”!

Ultimamente, no entanto, eu andei um pouco decepcionada com ele, pois soube que ao receber a estatueta do Oscar, ainda sob o impacto da premiação de melhor filme como produtor, o ator-produtor-bonitão declarou: ”Eu não sei onde vou colocar. Eu nunca achei que eu fosse levar um para casa, então eu não pensei nisso com antecedência”.

Como não, Brad? Cadê seu “plano B”, rapaz?

Téia Camargo

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