Como vocês sabem eu trabalho em uma Maternidade do Rio de Janeiro, escuto sobre todo o ciclo gravídico puerperal e os temas que o permeiam. As doenças sexualmente transmissíveis muitas vezes, só são tratadas durante a gestação, ou após o nascimento do bebê. Por isso se preconiza um acompanhamento pré-natal desde quando se descobre uma gestação.

Algumas DST’s são mais temidas do que outras, muito se fala do HIV ou do HPV, mas e a sífilis, você sabe o que é? Pode até parecer estranho, mas a sífilis era uma doença que parecia extinta desde a descoberta da Penicilina, e voltou a dar o ar da graça nessa última década. Para termos uma ideia de como essa doença é antiga, os primeiros relatos aqui no Brasil datam do século VXII, mas na Europa ela já era conhecida bem antes disso… Muitos acreditam que ela quase não existe mais, no alto de 2015, mas não é o que eu tenho observado. Constato principalmente que, muitas mulheres acreditam que podem viver com a doença, “sífilis não faz tão mal”, não compreendem seus maiores riscos.

A sífilis é uma doença séria, grave, causada pelo Treponema Pallidum, uma bactéria transmitida de pessoa para pessoa através do contato direto com a ferida que ela provoca. A principal forma de transmissão é através da relação sexual (vaginal, anal ou oral) feita sem camisinha. Mas também é possível pegar sífilis beijando na boca de alguém que tenha uma ferida lá, através do contato direto com o sangue de alguém com a doença. E principalmente, a sífilis pode ser transmitida da mãe para o bebê, e nessa, não há como o bebê se defender, é preciso submetê-lo ao tratamento com antibióticos logo após a doença ser detectada.

Os sintomas variam de acordo com o estágio da doença, começando com uma pequena ferida indolor na vagina, na região anal ou na boca, podem chegar até os ossos, ao coração, e ao sistema nervoso. Culminam na morte da pessoa contaminada, se ela não se submeter ao tratamento. Mas o problema é que até chegar à fase mais avançada, a doença pode passar totalmente desapercebida e a pessoa só descobre quando faz o exame de sangue (o VDRL) e aí já pode ser tarde demais.

Estima-se que 1,6% das mulheres brasileiras têm a doença no momento do parto e a cada ano, cerca de 50 mil gestantes são contaminadas com a sífilis. E isso é ainda mais grave quando estamos diante de uma mulher grávida que tem sífilis e não sabe. O motivo é simples: essa bactéria terrível é capaz de atravessar a placenta ou durante o contato com o sangue da mãe no parto e afetar o bebê. Ao nascer, a criança pode apresentar problemas sérios de saúde como: pneumonia, feridas no corpo, problemas ósseos, surdez e retardamento. Existem ainda casos em que a criança nasce aparentemente normal e a doença só se manifesta mais tarde, após o segundo ano de vida. É a chamada sífilis congênita.

É muito importante estar com os exames em dia e se consultar pelo menos uma vez ao ano com o seu médico ginecologista… Cuidado íntimo é fundamental!!

Beijos e até logo,

Luiza.

 

Um comentário para “A sífilis acabou?”

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