Minha sogra está com quase noventa anos e mesmo com todas as limitações decorrentes de tão avançada idade nas vezes em que vai para a rua ela não atravessa a porta da sala sem antes passar o seu batonzinho.

Os humanos, sobretudo as mulheres, preocupam-se com a aparência desde os primórdios da civilização.

Na antiguidade as mulheres tinham o hábito de realçar a boca utilizando os recursos possíveis a seu tempo. Foram minérios pulverizados nos lábios na Mesopotâmia, pigmentos extraídos de algas no Egito antigo e inúmeros outros recursos naturais seguiram sendo utilizados até que o primeiro batom comercial começasse a circular em 1884 e que chegássemos ao formato de hoje que não para de se modernizar.

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Seja para realçar a beleza, melhorar a aparência, camuflar determinadas imperfeições ou destacar-se dentre os demais, os cosméticos e a perfumaria têm papel relevante no que diz respeito à elevação da autoestima.

Um estudo científico realizado por uma empresa nacional do mercado de beleza em conjunto com um instituto francês revela que o uso do cosmético pode contribuir diretamente para melhorar o humor, ampliar a sensação de paz, reduzir o nível de estresse e trazer tranquilidade e relaxamento.

Talvez isso possa explicar o porquê de nos momentos de crise o consumidor deixe de gastar com roupas, carros, eletrodomésticos e artigos de luxo, mas não abra mão de produtos de beleza.

Tal comportamento é conhecido no mundo dos negócios como “efeito batom”.

“Ninguém quer aparentar que está vivendo uma crise. Os cuidados com a aparência ajudam na preservação de uma imagem social positiva o que também tem um peso importante no ambiente de trabalho”, diz João Carlos Basílio, presidente da Associação Brasileira de Indústria de Higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

Por sua vez, uma pesquisa coordenada pela antropóloga e doutora em Psicologia Sarah Hill, da Texas Christian University, divulgou que em tempos de crise as mulheres investem em batons, perfumes e outros produtos que realcem seus dotes naturais por quererem se tornar mais sedutores e assim conquistar companheiros em boa situação econômica.

Enquanto a ciência e os órgãos de pesquisa seguem tentando desvendar o mistério, eu, sem pretensão alguma, a não ser minha curiosidade feminina aguçada, indaguei à minha sogra o motivo de ela não deixar de colocar o batom antes de sair.

A resposta? Ora, queridos leitores, ela pode ser idosa, mas nem por isso deixou de ser mulher e, portanto, não perdeu a vaidade. Quer se olhar no espelho e se sentir mais bonita e de quebra, receber alguns elogios.

Está certíssima, por sinal!

Téia Camargo

Um comentário para “Batom, um baluarte de resistência feminina.”

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