Não passa um dia que não tenhamos conhecimento de uma notícia escabrosa, um acontecimento amedrontador, um feito pavoroso ou um crime hediondo motivado por racismo e intolerância.

Estamos vivendo tempos mais do que difíceis.

Estamos vivenciando a era do pavor, do nojo, da desfaçatez.

Temos medo de quase tudo e raiva de quase todos.

É corrupção desvelada; é violência exacerbada; é truculência disparada; é emprego escasseando; é descaramento acelerando.

Há momentos em que sinto uma vontade enorme de cerrar fileira com aqueles que proliferam o discurso do ódio e acompanhá-los por aí esbravejando, colocando para fora os fantasmas mais horrendos e destilar o mais mortal dos venenos que se possa proferir.

Há outros momentos, no entanto, em que sinto um enorme cansaço, uma impotência tamanha que me torno desacorçoada diante de tanta barbaridade noticiada e de outras tantas presenciadas.

Mas entre esses dois momentos desprezíveis, felizmente, minha razão grita, esperneia, resiste e enfim vence a batalha entre a cólera e a fraqueza, permitindo assim que eu possa seguir em frente empunhando as bandeiras da honradez, do amor e da gratidão.

Não consigo me manter impassível diante dos acontecimentos que deterioram o caráter e corroem as condições mínimas de uma vida digna, segura e prazerosa para nossa sociedade.

Entretanto, escolhi seguir na contramão do desalento e da animosidade.

Mantenho uma luta pessoal diária e implacável para me manter protegida dos sentimentos negativos que possam infectar meu coração e deteriorar minha imaginação.

Minhas armas sempre serão as mensagens de esperança e otimismo.

Para seguirmos pelo caminho da solidariedade, da compreensão, da bondade e de tantos outros sentimentos agregadores é preciso empregar uma enorme quantidade de energia para ser capaz de remover os entraves do individualismo, as barreiras da descrença e os muros da intolerância, carregado nas tintas do desprezo e do ódio.

E se conduzir na contramão é infração grave, só me resta esperar que a multidão que segue no sentido do desânimo possa ser contaminada por uma onda de benevolência e fraternidade e mude de mão.

Caso contrário, sempre estarei infringindo a lei, pois nem nada nem ninguém me convencerá a inverter minha marcha.

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