Ana não viu a amiga casar.

Cerimônia na Igreja suntuosa, festa no salão mais chique da cidade, convidados vestidos com requinte, orelhas e dedos das mulheres cintilando, noivos exultantes, pura felicidade, alegria imperando, mas Ana, por acreditar não possuir um traje elegante que a fizesse se sentir segura, simplesmente não foi ao casamento da amiga.

A noiva ressentiu-se da ausência de Ana.

Aquele deveria ter sido o dia mais feliz da vida da amiga de Ana, não fosse a decisão de Ana em não se permitir partilhar essa felicidade.

Ana é mais uma daquelas pessoas verdadeiras e companheiras que não conseguem superar a própria insegurança para demonstrar todo o amor que sentem.

Ana não viu a amiga casar. Que triste!

Quantas “Anas” existem por aí?

Quantas vezes nos comportamos como Ana?

Quantas foram as situações em que uma roupa, uma unha sem esmalte ou uma raiz de cabelo deixando aparente o fio branco por baixo da tinta nos impediu de prestigiar alguém, de participar da plena felicidade do outro e de estar em comunhão com entes queridos em ocasiões importantes de suas vidas?

Quanto medo da crítica, dos olhares recriminadores, dos comentários maliciosos, dos cochichos entre sorrisos nos frustram de dividir momentos inesquecíveis com quem amamos, admiramos e queremos bem?

Arrumar-se com esmero, caprichar na aparência e apresentar-se com distinção a um convite recebido é uma questão de respeito com aquele que nos convidou. Demonstra deferência, carinho e aceitação de bom grado ao chamado.

A menos que seja uma mera formalidade, que você tenha certeza de que quem o convidou o fez por obrigação, mas não faz a menor questão da sua presença, arrume-se direitinho e vá! Garanto que você tem no armário alguma coisa decente e apropriada para qualquer ocasião.  Seja ela qual for!

Da minha parte, faz tempo que deixei de ser “Ana”.

Com roupa nova ou usada, com sapato alto ou baixo, com maquiagem, sem maquiagem, com bolsa ou sem bolsa, cabelo preso ou solto, me convidou, dou uma ajeitada no visual e lá vou eu.

Quem quiser reparar, que repare! Quem quiser falar mal, que fale! Quem achar que eu engordei, emagreci, envelheci, despenquei, que ache! Fique à vontade!

Às vezes acontece de o convite nos pegar desprevenidos e surge justo naquele mês em que o plano de saúde sofreu reajuste, em que você, enfim, resolveu consertar o amassadinho do carro ou é aniversário do filho, marido, namorado ou sobrinho.

Relaxe!

A noiva não vai deixar de casar por causa da roupa que você está usando, o formando não vai perder o diploma porque você não teve tempo de passar no cabeleireiro, a debutante não vai se recusar a dançar a valsa porque o sapato de uma das convidadas não é de salto alto e a vida do casal que comemora bodas de prata não será melhor ou pior dali para frente se a bolsa que você está portando não for de grife.

Enfeite-se de alegria, faça do sorriso sincero seu melhor acessório, cubra-se de encanto e jogue-se na pista.

Divirta-se! Aproveite ao máximo tudo o que puder!

Quer fazer mais bonito ainda?

Depois de a festa acabada, ligue ou mande uma mensagem para quem te convidou agradecendo e deixando claro o quanto foi bom, o quanto você se divertiu e que será um prazer poder retribuir, um dia, o convite.

Só tem um detalhe sobre a dica acima: se você tiver ido ao um casamento, espere o casalzinho voltar da lua de mel para fazer contato, ok?

2 comentários para “Com que roupa eu vou?”

  1. Naira Gonçalves

    Muito bom e verdadeiro o texto.
    Mulher é bicho inseguro no que se refere a aparência.Coisa de doidaaa.
    Eu ainda sou um pouco Ana sim.
    Bjocas

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    • Téia Camargo

      Olá, Naira!
      Obrigada pela participação!
      Bora trancar essa Ana no armário e sair por aí, lindas, leves e seguras, rs.
      Bjs e bom natal!
      Téia Camargo

      Responder

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