Estamos alcançando um patamar inimaginável no que diz respeito à falta de atenção, de responsabilidade e de envolvimento naquilo que nos comprometemos.

Os dois últimos episódios emblemáticos dessa situação foram transmitidos ao vivo e em cores para milhões de perplexos espectadores que diante de telas de televisão ao redor do mundo assistiram abismados, à entrega da faixa para a miss que NÃO ganhou o concurso de beleza, bem como à entrega da cobiçada estatueta do Oscar para efusivos atores, atrizes e diretor do filme que NÃO foi o vencedor da academia de cinema.

   

Talvez a estupefação do público não fosse tanta se antes de cada uma dessas cerimônias tivesse sido divulgada a pesquisa em que se constatou serem pouco mais de 10% os funcionários em todo o mundo realmente engajados e comprometidos com o trabalho.

Sim, trabalho!

A festança que coroa a mulher mais linda do mundo após a competição de beldades representando seu país e o tão esperado desfile de celebridades famosíssimas e riquíssimas no “red carpet”, são apenas a culminância de um longo processo que envolve a participação de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.

O resultado nefasto dessas “distrações”, portanto, não pode acabar num “climão”, tampouco ser resolvido com um mero pedido de desculpas esfarrapadas por quem deveria ter, no mínimo, o respeito de evitar imensurável “equívoco”.

A falta de comprometimento é uma epidemia que aumenta a cada dia e tem afetado de maneira desastrosa o universo produtivo, de maneira geral.

A consultora de recursos humanos Bernadete Pupo nos ajuda a entender um pouco esse problema:

“Como profissional atuante do mundo corporativo tenho observado, com certa frequência, uma série de gafes cometidas por profissionais de modo geral, independente do seu nível hierárquico. Se pararmos para pensar friamente, podemos listar uma série de motivos, que podem desencadear o chamado “descompromisso” ou “falta de foco”, que pode ir desde a má gestão da organização até a dispersão do empregado com ligações inúteis, e-mails em excesso, consultas às redes sociais e bate papos que nada ou que pouco tem a ver com a atividade a ser desempenhada. “

O auditor Brian Cullina, que representava a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC) e que estava à serviço do Oscar, deu o envelope errado aos apresentadores. Repórteres afirmam que houve distração de sua parte, pois o mesmo estava no Twitter minutos antes da trapalhada acontecer no palco do evento.

A palavra descompromisso é um substantivo que denomina todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos, etc. Nesse caso, devemos avaliar as duas partes: àquele gerado pelo próprio empregado, conforme exemplos já citados, ou o descompromisso instigado pelo próprio empregador, quando não há consistência no seu planejamento, nas suas práticas e em suas políticas de gestão de negócios ou de pessoas.

Raras são as empresas que se dão conta dos riscos acarretados pela vulnerabilidade dos seus recursos humanos, uma vez que os sistemas financeiros não captam os ganhos ou prejuízos decorrentes do maior ou menor grau de satisfação das pessoas no trabalho”.

Num mundo em que, cada vez mais, o trabalho se confunde com a vida e vice-versa, é preciso estar atento para administrar cada uma de nossas atitudes e atividades em cada um dos cenários que vivenciamos.

Bernadete Pupo nos dá as seguintes dicas nesse sentido:

“Se você for empregado, atente para o seu comportamento frente aos seus compromissos e às suas entregas no prazo e com qualidade, observando constantemente para não perder o foco. Se você for empregador, procure avaliar o clima da sua organização em relação às atitudes e comportamentos que são mais importantes para a sua empresa, como assiduidade, atenção concentrada, pontualidade, desempenho individual dentre outros e, após verifique se a missão e visão estão coerentes e alinhadas entre todos os membros da sua equipe. ”

Foco, atenção, concentração e motivação parecem ser as palavrinhas mágicas para evitar que essas e outras lamentáveis ocorrências continuem se repetindo.

Porém, isso não isso significa que o profissional precise viver para o trabalho.

Organize-se, priorize seu tempo, cumpra com as suas responsabilidades e aproveite a vida! Curta a família, viaje, leia, vá ao cinema, à praia, caminhe no parque e sorria muito, tendo a certeza de que o melhor de você foi empregado em cada ato, em cada fato.

Cada coisa a seu tempo!

Cada qual em seu lugar!

 

Téia Camargo

 

Meus agradecimentos à Bernadete Pupo, especialista em carreira e consultora de RH, pela participação!

www.gestaoderh.com

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