Você está saindo da vaga do estacionamento, seta acionada, metade do carro para fora e os motoristas da via não admitem parar por um minuto para que a manobra seja concluída, seu carro possa seguir viagem e deixar a vaga liberada.

Manhã de sol, você resolve dar fazer um passeio de bicicleta pela ciclovia e os que correm, caminham ou patinam despreocupados, ocupam o referido espaço destinado ao ciclismo sem que você consiga transitar com seu transporte de duas rodas.

Apenas um carrinho de compras na sua frente após meia hora de espera na imensa fila do supermercado, chega a vez da pessoa da sua frente e ela, sem a menor cerimônia, chama seu companheiro que se encontrava na fila ao lado com outro carrinho igualmente lotado de produtos.

Acredito que todos os que estão lendo os primeiros parágrafos deste texto já tenham passado por situações semelhantes esperando, de coração, que nenhum dos leitores possua o péssimo hábito de provocar atitudes grosseiras, mal-educadas e desprovidas de total falta de bom senso.

Todas as vezes que me vejo envolvida por um cenário semelhante ao dos relatos acima, me pergunto se as regras mínimas de convivência em sociedade ainda estão valendo ou se foram revogadas por alguma lei que preconiza o “cada um por si”?

Será que custa parar por alguns instantes para liberar o carro que está manobrando e assim deixar fluir o trânsito e a energia da gratidão?

Ciclovia foi construída para caminhada, corrida, patinação ou para a circulação de bicicletas? Alguém tem dúvida sobre a resposta?

É muito aviltante para alguém se dar ao trabalho de comunicar à pessoa que está atrás na fila do supermercado que suas compras não são apenas aquelas visualizadas, o que acarretará uma demora maior do que a por ela esperada?

Claro que a noção de certo e errado é bastante discutível, que o assunto é polêmico, que a abordagem envolve filosofia e religião, mas uma coisa é inegável: quanto mais cedermos ao comportamento abusivo, mais estressados e violentos seremos.

O embate e o conflito vêm se tornando uma desastrosa expectativa no nosso cotidiano. Há quem acorde e saia para a rua decidido a desafiar, há quem se arme para enfrentar o desrespeito e há quem consiga, às vezes, derrotar a arrogância.

Essa luta além de ter um preço muito alto, não premia vencedores e cobra de todos uma elevada taxa de felicidade.

Téia Camargo

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