A matéria de um jornal esportivo deste fim de semana nos trouxe a inacreditável notícia do grupo de torcedores de um clube de futebol sul do país, que a título de provocação ao time adversário, no final da partida entoou o refrão: “ão, ão, ão, abastece o avião”.

Nem é preciso dizer que o tal “grito de guerra” de extremo mal gosto e totalmente desprovido do espírito esportivo, é, muito mais do que desrespeitoso, uma total falta de humanidade para com os parentes e amigos das vítimas fatais e sobreviventes do desastre aéreo que vitimou a Chapecoense.

O que leva uma pessoa a atacar de forma voluntária os sentimentos de quem perdeu entes queridos em tão bizarra tragédia? Qual a necessidade de se vangloriar do resultado de um jogo de futebol colocando o dedo em feridas que ainda expõem a chaga da dor?

Não bastassem as inúmeras dificuldades que a sociedade brasileira vem enfrentando, seja nos desafios da situação econômica, nos descalabros da política, no desamparo com a segurança pública, no desalento com os setores da saúde e educação, ainda somos obrigados a nos submeter ao escracho de quem gosta de tripudiar do sofrimento alheio por conta do resultado de uma partida de futebol?

Esse tipo de conduta antissocial, que ignora por completo a possibilidade de causar pesar ou provocar mágoa e angústia de quem nem ao menos conhece, é preciso ser observado com cuidado.

Não raro nos deparamos com notícias de crimes bárbaros cometidos em nome da rixa, da disputa, da inveja, de inimizades e toda a ordem de rivalidades a tal ponto nocivas ao caráter do indivíduo, que muitas vezes o colocam numa posição de total irracionalidade comportamental.

Brincadeiras também necessitam de limite!

O sarcasmo pode se transformar em sadismo.

A irreverência pode acabar em ofensa grave.

A agressão verbal pode se acirrar a ponto de se tornar fatal.

Um pouco mais de atenção com o tom da crítica, de bom senso no trato com o outro, de afeição nas relações pessoais, poderiam fazer desse mundo caótico, um lugar menos confuso para se viver.

Para dar um basta ao círculo vicioso de mais desavenças gerando mais desafetos, é preciso que se tenha a coragem e a boa vontade de impulsionar um círculo vicioso contrário, com atitudes de mais compreensão gerando mais afetividade”.

Quem se habilitará a dar o primeiro passo?

Téia Camargo

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