Em geral quando perguntamos a alguém “qual é o seu sonho?”, esperamos ouvir como resposta o acúmulo de fortuna, a aquisição de um iate ou um carro de luxo, a realização de uma viagem ao redor do mundo ou outra fantasia de igual monta.

É comum creditarmos dosagens de grandiosidade, ousadia ou megalomania aos sonhos, desejos e realizações de vida das pessoas, quando na realidade nem sempre estes estão ligados à riqueza financeira, ao status, ao poder, à fama ou ao sucesso.

Há que sonhe “pequeno” aos olhos do outro, sem que por isso, no entanto, deixe de ser um sonhador.

Mas, afinal, quem ou que define o tamanho ideal de um sonho? Existe uma medida exata para considerá-lo grande ou pequeno?

Acostumados ao consumismo desenfreado e às ambiciosas estratégias de marketing que alçam ao estrelato qualquer um que fature cifras estratosféricas nos deixamos enredar pela falsa ideia de que somente é feliz e realizado quem sonha aquilo que a sociedade estabelece como padrão.

Mas o verdadeiro sonho que acalenta nosso ser nos motivando a suportarmos determinados sacrifícios, a nos expormos, a abdicarmos de determinas situações ou incorporarmos outras, esse é pessoal, individual, intransferível e digno de todo o respeito, embora nem sempre seja tratado desta forma.

Registro aqui a “mea culpa” de num determinado momento de minha carreira ter insistido com um colega de trabalho, rapaz jovem, inteligente e promissor, para que se atracasse com todas as forças às fantásticas oportunidades profissionais que, à época, lhe eram oferecidas.

Ele não se deixou cegar pela ambição mantendo-se fiel a seu propósito de ganhar o suficiente para o sustento e realizar o almejado sonho de criar galinhas no sítio que haveria de comprar economizando o salário.

Inúmeras foram as vezes que meu inconformismo com essa opção, que me parecia esdrúxula, absurda e fora de propósito, nos levou ao confronto de opiniões.

Hoje estou convicta de que cometi um grande erro, pois eu jamais poderia ter desmerecido o plano de vida do rapaz lhe impondo um modelo que, a meu ver, era mais vantajoso do que aquele por ele idealizado.

Debochar, desacreditar ou desestimular a realização de um sonho, seja ele qual for é, no mínimo, desrespeitoso.

Com o tempo entendi que às vezes o romantismo e a ingenuidade são o que mantém vivo um sonho e percebi que um sorriso acolhedor de incentivo pode ser muito mais benéfico do que uma crítica, por melhor elaborada que ela seja.

Acredito que em quanto maior número forem os sonhadores vivenciando suas facetas “quixotescas”, empunhando espadas de esperança mundo afora em busca de suas utopias, menos atrocidades contra a humanidade e o meio ambiente serão cometidas.

O sonho alheio merece respeito!

Cultivemos, pois, nossos sonhos e deixemos livres para sonhar os demais sonhadores!

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