Não teve tempo de preparar o jantar? Dê uma passadinha no supermercado mais próximo e compre um congelado qualquer. Problema resolvido!

Quer usar aquela calça que comprou dia desses no shopping e a barra está comprida? Fácil! Alguns centímetros de fita autocolante e voilá! Você, de roupa nova!

Deu “pau” no computador? Ligue para o seu técnico de confiança. Caso não tenha um,  peça ajuda aos amigos virtuais que as indicações surgirão aos borbotões. Logo, seu companheiro de todas as horas estará reabilitado.

Tudo tão rápido, fácil e automático que nem nos damos conta de perceber que para cada solução oferecida foi preciso que alguém, em algum lugar, tivesse-a idealizado e para que isso acontecesse, foi preciso que esse alguém tivesse percebido ou sentido essa necessidade.

Pelo menos foi isso que a cabeça privilegiada de Platão, filósofo e matemático grego conseguiu alcançar lá pelos idos dos anos 400 antes da era cristã ao ter o “insight” de que a necessidade é a mãe de todas as invenções.

Claro que Platão não tinha como adivinhar que muito tempo depois a ciência, a robótica, a mecatrônica, as redes sociais e a realidade virtual nos afastariam um pouco dessa ideia básica e essencial para o “surgimento das coisas e dos serviços”.

Assim como também não previu que o marketing poderia acabar por nos fechar os olhos às maravilhas do cérebro humano, seu fantástico funcionamento e sua incrível capacidade de estabelecer conexões, dentre as quais, aquela que liga a precisão à solução.

Acostumados que estamos ao consumo desenfreado, à oferta ilimitada de produtos e ao alcance inimaginável da tecnologia, quase nos esquecemos de que foi um dos nossos antepassados quem teve que colocar “a cuca para funcionar” e produzir os primeiros artefatos que o diferenciaram dos outros animais; que este homem pré-histórico foi quem “queimou a mufa” para descobriu como produzir fogo, o que o permitiu se fixar num lugar e desenvolver a agricultura e que foi ele que “sacou” que dominar a técnica de fundir os metais o levaria à fabricação de ferramentas e armas, ainda que rudimentares.

E quando entramos no meio do engarrafamento, ou bebendo uma cervejinha gelada no churrasco do fim de semana, no nosso carro, não damos a menor importância para o fato de que a maior parte de tudo o que foi relembrado acima, aconteceu quando nosso ancestral nem ao menos havia desenvolvido a escrita.

Pouco mais desenvolvido do que um primata, esse ser racional, intelectualmente capaz, detentor de uma fonte inesgotável de criatividade, vislumbrou recursos onde não havia, empregou técnicas que desconhecia e desprendeu esforços que não sabia possuir.

Não se deixando derrotar diante de dificuldades, desprovimento ou escassez, superando as adversidades e com o uso da imaginação, perspicácia e observação, esse ascendente da raça humana lutou pela sobrevivência e nos permitiu chegar até aqui, enquanto espécie.

Se ele, que não tinha internet, não se comunicava por celular, não cruzava os continentes em aviões supersônicos, conseguiu impulsionar a humanidade, por que temos tanta preguiça de raciocinar? Por que nos consideramos tão incapazes? Por que usamos tão pouco a capacidade de nossa mente prodigiosa?

Será que não estamos precisando de mais nada? Será que estamos plenamente satisfeitos com tudo o que nos é oferecido da forma como nos é oferecido?

Para tantas perguntas e tantas possíveis respostas, fica uma dica bem antiguinha, mas, ao que parece, atualíssima: avalie sua necessidade e invente sua solução!

Use a cabeça! Talvez dissesse Platão.

Téia Camargo

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