Dizem que este é um provérbio muito popular entre o povo chinês.

Ainda que vivamos num país onde o tema corrupção faça parte da nossa dolorosa rotina e que nosso momento político contemple o desnudar de escândalos e canalhices de toda ordem, essa frase tem me feito pensar muito, após eu ter assistido a um documentário sobre o uso de substâncias proibidas entre os atletas olímpicos e o incansável trabalho das autoridades no combate ao doping.

Não sou de todo inocente quanto à capacidade de não só o dinheiro, mas também o poder, a fama, a ganância e a vaidade minarem os mais ferrenhos incorruptíveis, mas devo admitir que tudo o que vi e ouvi retratado nesse pequeno filme me deixaram enojada e entristecida.

O esporte é um instrumento poderoso em desenvolver habilidades socioemocionais, em trabalhar a disciplina, o espírito em equipe, a solidariedade, a responsabilidade, a resiliência e de outras tantas competências fundamentais para a formação de vida de seu jovem praticante.

A atitude de subverter os benefícios da vivência esportiva incitando, tentando ou mesmo impondo a utilização de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o desempenho esportivo, seja por parte de patrocinadores, treinadores ou autoridades de uma nação, é um despropósito sórdido, cruel e inaceitável.

dopiing

A mesma droga que torna o atleta invencível, que eleva a bandeira de um país várias vezes ao mastro ou que divulga a marca famosa é a que mancha o espírito esportivo, que desmerece o esforço do concorrente lícito e, em última análise, que prejudica a saúde de quem a utiliza.

A AMA Agência mundial antidoping (em inglês WADA), entidade internacional responsável por determinar substâncias proibidas e combater a prática de doping entre os atletas faz o que pode, mas o poder financeiro, as artimanhas políticas e a gana por recordes, medalhas, fama, direito de imagem correm na frente, sempre inovando quanto ao tipo de droga usada.

Estaria certo esse ditado chinês?

Seria mesmo o dinheiro capaz de corromper até os deuses do olimpo?

Talvez os exemplos, mais do que a doutrina, sejam a chave para o enfrentamento contra essa doença nefasta da corrupção.

Talvez a criação baseada em amor, apoio, noções de responsabilidade, respeito, aceitação, justiça, flexibilidade talvez possam colaborar no combate às tentações futuras que hão de se apresentar.

Talvez!

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