“- Eu vou lançar um livro com as crônicas que publico toda semana no blog. ”

Era apenas uma frase. Dita em meio a um encontro das colunistas do blogfv.  Poderia ter se perdido entre um café e outro, entre as inúmeras novidades e as risadas sem fim, se não contivesse em si um enorme desejo aliado a uma boa dose de ousadia que lhe permitisse se fortalecer a ponto de transformar-se na obra AQUI ENTRE NÓS, da escritora Téia Camargo.

“Os sonhos existem para tornar nossa vida mais dinâmica, mais excitante e mais vibrante. Ai de nós se não nos fosse permitido sonhar! São eles que nos movem, são eles que nos permitem suportar a mesmice e são eles que nos tornam criativos e invencíveis. ” – Declara a autora às vésperas do lançamento de sua obra.

O livro AQUI ENTRE NÓS é, sem sombra de dúvidas, a perfeita tradução de um desses sonhos.

Nasceu de uma frase, evoluiu da sintonia bem afinada na parceria entre a escritora Téia Camargo e a cirurgiã plástica Fabiana Valera, administradora do blogfv e concretizou-se pelo esforço, persistência e determinação das duas profissionais que juntas, receberão os convidados para uma tarde de autógrafos na livraria Argumento do Shopping Rio Design Barra da Tijuca, a partir das 17h, no dia 8 de janeiro de 2017 (primeiro domingo após o réveillon).

“ Não vejo a hora! ” – Diz a Dra. Fabiana Valera. “Vislumbro essa tarde de autógrafos como um momento de imensa alegria, quando teremos a feliz oportunidade de receber familiares, amigos e leitores do blogfv, alguns dos quais só conhecemos do mundo virtual, para dividirem conosco o prazer de folhearmos as páginas do livro que surgiu de uma conversa despretensiosa entre amigas que vez ou outra se reúnem para um papinho. ”

“Nem tudo é fácil, nem tudo transcorre como um barquinho a vela deslizando num mar de rosas, mas nem por isso devemos deixar de acreditar na nossa capacidade, na nossa sorte e, sobretudo, no nosso sonho. ” Afirma uma sorridente e realizada autora.

“Esperamos por vocês no dia 8 de janeiro, na Livraria Argumento do Rio Design Barra para um abraço, uma taça de vinho e um autógrafo. Venham começar 2017 conosco, com o pé direito e a todo vapor. ” – Complementam Téia Camargo e Fabiana Valera, em conjunto.

(Trecho da entrevista concedida à Assessora de Imprensa Luciana Palhete, da WindRose Marketing e Produções.)

21
dez

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Qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça ao ler a expressão que intitula esse texto?

Lembrou daquela roupa que insiste em não fechar e mesmo assim permanece encarcerada no guarda-roupa? Ou foi da louça desparelhada do enxoval da sua avó que te faz lembrar da infância?  Quem sabe das tranqueiras que enchem as gavetas dos móveis e as prateleiras dos armários com lembranças e recordações de coisas, gente e momentos que não jogamos fora porque, ora, pertencem à nossa história?

Seja porque ainda conservamos a esperança de um dia servirem, seja porque fazem parte do acervo de nossas boas memórias, seja porque temos dó de nos desfazermos porque custou caro ou foi adquirido naquela viagem dos sonhos ou ainda porque pertencem ao universo daquele ditado “quem me deu esse não me dá mais”,   esse apego material nos mantém presos a uma energia estagnada que nos impede de arejar a alma e de refrescar o coração.

Vou contar a vocês um episódio muito particular!

Após o falecimento de meu querido pai, doei quase a totalidade de seus pertences pessoais mas mantive, bem guardado, o terno que ele usara por ocasião do casamento de meu irmão.

Por meses, saber que bastava abrir a porta do guarda-roupa para acariciar o tecido macio e cheirar o colarinho da camisa alva, chegando a sentir o perfume característico do homem que me criou com carinho, amor e devoção, era perfeito para aliviar um pouco a dor da perda, bem como para mascarar a triste realidade de que meu pai não voltaria nunca mais.

Um dia me enchi de coragem e doei o terno. Entreguei-o para alguém que precisava dele mais do que eu, porque àquela altura eu já havia aceitado sua ausência numa conformação serena que se apoiava em nossas doces lembranças.

Enfim eu me desapegara da convicção de que aqueles pedaços de pano me deixavam mais próxima da memória de meu pai. Não! Aquilo era apenas roupa usada, nada mais.

Nenhum bem material, caro ou barato, chique ou brega, requintado ou rústico detém o poder de trazer de volta um sentimento, uma lembrança ou um carinho.

Nada que o homem possa confeccionar, produzir ou comprar é capaz de nos fazer reviver, voltar no tempo ou  mudar, seja para o bem ou para o não tão bem.

Não era o terno que me mantinha conectada com meu pai. O terno se foi. Nem deve existir mais e mesmo assim, não passa um dia sequer sem que eu me lembre da expressão sorridente com a qual ele me recebia na porta, de sua voz grave, com o sotaque gaúcho a me dizer “Deus te abençoe, minha filha! ” quando nos despedíamos e de tudo o mais que ele fazia ou dizia para me sentir amada e me permitir amar sem restrições.

O fim do ano é uma boa oportunidade para se promover uma boa faxina no espírito!

Separar tudo aquilo que  mantemos apenas por apego, que teimamos em querer junto apesar de todas as evidências deporem contra, que insistimos em não nos  desgrudarmos, que sabemos que já passou da hora de ver longe. Então, aproveitemos o momento para doar,  quebra, jogar no lixo, vender ou mesmo elaborar um belo embrulho de presente e passar adiante.

Desapegar dói um pouco num primeiro momento, mas será de grande libertação nos seguintes, nos posteriores e para o resto da vida.

Coisas e pessoas que nos são caras devem ser guardadas dentro do peito.

E dentro do peito não existem caixas, gavetas ou prateleiras.

Ali, o que pode ser armazenado são os mais puros sentimentos e as melhores emoções.

Ame mais, curta mais!

Guarde menos, desapegue!

Ana não viu a amiga casar.

Cerimônia na Igreja suntuosa, festa no salão mais chique da cidade, convidados vestidos com requinte, orelhas e dedos das mulheres cintilando, noivos exultantes, pura felicidade, alegria imperando, mas Ana, por acreditar não possuir um traje elegante que a fizesse se sentir segura, simplesmente não foi ao casamento da amiga.

A noiva ressentiu-se da ausência de Ana.

Aquele deveria ter sido o dia mais feliz da vida da amiga de Ana, não fosse a decisão de Ana em não se permitir partilhar essa felicidade.

Ana é mais uma daquelas pessoas verdadeiras e companheiras que não conseguem superar a própria insegurança para demonstrar todo o amor que sentem.

Ana não viu a amiga casar. Que triste!

Quantas “Anas” existem por aí?

Quantas vezes nos comportamos como Ana?

Quantas foram as situações em que uma roupa, uma unha sem esmalte ou uma raiz de cabelo deixando aparente o fio branco por baixo da tinta nos impediu de prestigiar alguém, de participar da plena felicidade do outro e de estar em comunhão com entes queridos em ocasiões importantes de suas vidas?

Quanto medo da crítica, dos olhares recriminadores, dos comentários maliciosos, dos cochichos entre sorrisos nos frustram de dividir momentos inesquecíveis com quem amamos, admiramos e queremos bem?

Arrumar-se com esmero, caprichar na aparência e apresentar-se com distinção a um convite recebido é uma questão de respeito com aquele que nos convidou. Demonstra deferência, carinho e aceitação de bom grado ao chamado.

A menos que seja uma mera formalidade, que você tenha certeza de que quem o convidou o fez por obrigação, mas não faz a menor questão da sua presença, arrume-se direitinho e vá! Garanto que você tem no armário alguma coisa decente e apropriada para qualquer ocasião.  Seja ela qual for!

Da minha parte, faz tempo que deixei de ser “Ana”.

Com roupa nova ou usada, com sapato alto ou baixo, com maquiagem, sem maquiagem, com bolsa ou sem bolsa, cabelo preso ou solto, me convidou, dou uma ajeitada no visual e lá vou eu.

Quem quiser reparar, que repare! Quem quiser falar mal, que fale! Quem achar que eu engordei, emagreci, envelheci, despenquei, que ache! Fique à vontade!

Às vezes acontece de o convite nos pegar desprevenidos e surge justo naquele mês em que o plano de saúde sofreu reajuste, em que você, enfim, resolveu consertar o amassadinho do carro ou é aniversário do filho, marido, namorado ou sobrinho.

Relaxe!

A noiva não vai deixar de casar por causa da roupa que você está usando, o formando não vai perder o diploma porque você não teve tempo de passar no cabeleireiro, a debutante não vai se recusar a dançar a valsa porque o sapato de uma das convidadas não é de salto alto e a vida do casal que comemora bodas de prata não será melhor ou pior dali para frente se a bolsa que você está portando não for de grife.

Enfeite-se de alegria, faça do sorriso sincero seu melhor acessório, cubra-se de encanto e jogue-se na pista.

Divirta-se! Aproveite ao máximo tudo o que puder!

Quer fazer mais bonito ainda?

Depois de a festa acabada, ligue ou mande uma mensagem para quem te convidou agradecendo e deixando claro o quanto foi bom, o quanto você se divertiu e que será um prazer poder retribuir, um dia, o convite.

Só tem um detalhe sobre a dica acima: se você tiver ido ao um casamento, espere o casalzinho voltar da lua de mel para fazer contato, ok?