Na certa você já deve ter ouvido a expressão “pensar fora da caixinha”, muito utilizada quando alguém quer se referir a uma ideia inovadora a respeito de alguma coisa ou à doção de uma atitude que nos tire de nossa zona de conforto.

Mas do que se trata a tal da “caixinha”, afinal?

Há controvérsia quanto à origem do termo, mas independente de ele ser creditado a um ou outro consultor empresarial, há consenso quanto ao fato de representar as amarras convencionais que nos impedem de enxergar para além do óbvio e do habitual.

A “caixinha” seria, em outras palavras, os limites invisíveis que engessam e restringem a um determinado comportamento, impedindo o livre pensamento, a criação, a ousadia, a quebra de paradigmas ou o estabelecimento de novos critérios de entendimento.

O que não significa, necessariamente, que o indivíduo deva ocupar seu tempo apenas com ideias mirabolantes, com a elucubração de projetos fantásticos ou tampouco viva da expectativa de ser o próximo prêmio Nobel de alguma área da ciência.

Coisas mundanas e corriqueiras como mudar o foco, obter uma perspectiva diferente a respeito de determinadas ideias ou ações, permitir-se ouvir outra opinião, prestar atenção no alheio, simplificar uma tarefa, otimizar processos, buscar uma nova ocupação ou dedicar-se a um hobby, podem ser maneiras de romper com correntes impostas pela rotina, pela mesmice e pela acomodação.

Muitas vezes estamos tão arraigados a determinados conceitos, tão presos a certas normas e regras que que não nos damos a chance de repensar o entorno e enxergar com outro olhar o universo que nos cerca.

Quem vê a vida desmoronar de uma hora para outra sabe muito bem como é fácil a tal “caixinha” se desmantelar, deixando à mostra um universo estranho e muitas vezes hostil após ruírem suas, até então, acolhedoras paredes.

Quem passa um momento promissor e auspicioso, por sua vez, também sabe muito bem o esforço que foi preciso para derrubar as paredes de sua “caixinha”.

O fato é que se nossas “caixinhas” pessoais, construídas ao longo da vida por material sólido e estrutura intransponível poderão conter portas e janelas largas e abertas, por onde se possa colocar a cabeça para fora; poderão ser reformadas em sua fortaleza tornando-se mais translúcidas e iluminadas ou suas paredes tenderão a ser derrubadas para que o novo possa perpassar por ela quando bem entender.

A “caixinha” nos pertence e a nossa relação com o exterior só depende de nossa disponibilidade em acompanhar as inovações e estar aberto e flexível para as tendências.

Em tempos de realidade virtual, alterar o formato dessa “caixinha” pode significar um grande aprendizado e, ao mesmo tempo, uma excelente lição de vida.

Téia Camargo

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