Lágrimas! Numa olimpíada elas estão presentes aos borbotões, por toda parte.

De tristeza, de encantamento, de dor, de euforia, de lamento, da mais pura felicidade ou de qualquer outra emoção que extravase o peito, quase sempre musculoso e bem tonificado.

Elas podem vir tanto da frágil menina que após deslumbrar nossos olhos arregalados com sua graciosa apresentação de ginástica artística deixa escorrer uma discreta lágrima quanto do brutamontes que deixa a plateia de queixo caído ao levantar pesos inimagináveis para em seguida se jogar no chão soluçando compulsivo festejando o feito.

Em cada evento olímpico parece haver um acordo tácito, e eu diria até uma certa expectativa, de que a todos é permitida a mais rasgada comoção. Atletas, familiares, comissões técnicas e espectadores podem e devem exprimir seus sentimentos, deixar falar a voz do coração.

E se nós, acostumados a reprimirmos nossas sensações recebêssemos como legado um pouco dessa oportunidade de manifestarmos de forma mais autêntica nossos estados emocionais alterados?

Viver o cotidiano correndo contra o tempo e os obstáculos, nadando contra as correntes, disputando cada jogada, enfrentando concorrentes tão bons ou melhores do que nós nas diversas modalidades do dia a dia, também faz de nós atletas de grande performance na olimpíada da vida.

Então chore, esperneie, bata no peito e ponha para fora o sofrimento ou a felicidade.

Estereótipos tais como, homem não chora, mulher é frágil, só gente alta faz sucesso ou a raça branca é superior e outras baboseiras equivalentes, não têm espaço nem cabimento numa competição olímpica.

Perdeu? Sofra um pouco, chore o quanto quiser, depois se fortaleça e parta para outra.

Sua vitória foi conseguida na base de arranhões e cicatrizes? Parabéns! Chore! Chore muito, você merece!

Ah, mas a vitória foi uma barbada, era favas contadas? E daí? Isso não tira seu mérito de deixar cair uma lagrimazinha de comemoração. Afinal, toda vitória é vitória!

Se o fantástico nadador Michael Phelps, dono de uma vasta coleção de  medalhas olímpicas de ouro, pode se dar ao luxo de chorar de emoção, nós, ilustres anônimos mortais,  também podemos!

choro olimpico 1

Téia Camargo

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