Há quanto tempo você não se joga numa pista e dança até se acabar?

Se a resposta foi um muxoxo seguido de um “ih! Faz muito tempo”, está na hora de repensar seu comportamento.

Aproveite a comemoração pelo dia da mulher, vá para a frente do espelho, aumente o som e tire o pé do chão. Requebre-se, remexa-se, “solte os bichos” “abra suas asas”, “solte suas feras”, libere seus instintos e liberte sua alma.

“Dançar é uma das principais formas de se reconectar diretamente à essência feminina”, diz a professora de danças femininas, Luciana Lambert.

E eu assino embaixo!

A luta pelas conquistas femininas, as extensas jornadas múltiplas casa, família, trabalho, a batalha constante para se fazer respeitar, para se firmar no competitivo mercado de trabalho, para combater a violência e para tentar se livrar dos padrões impostos pela sociedade estão nos afastando da nossa essência feminina e nos tornando duras, rígidas e inflexíveis demais. No corpo, na alma e no humor.

Desde os primórdios da civilização, em sociedades remotas, as mulheres dançavam juntas e compartilhavam rituais dançantes, fosse para saudar ou louvar a deusa-mãe, muitas vezes associadas à Mãe Terra geradora da vida, da natureza e da fertilidade, fosse para invocar o seu próprio bem-estar, entregar-se ao seu eu interior e liberar seus instintos através da sua expressão corporal.

Talvez seja uma novidade para você saber que a dança do ventre, bem como diversas danças orientais que hoje são “apresentadas” como danças sensuais, remontam há milhares de séculos antes de Cristo e têm origem nos rituais sagrados de uma época em que a mulher era divinizada e respeitada pelo seu poder de gerar a vida e de manter a sobrevivência da espécie. Com o decorrer do tempo e com a substituição das sociedades matriarcais pela dominação masculina, essas danças foram postas à serviço da sedução e perderam seu sentido ancestral.

Diversas outras danças folclóricas ou ritualísticas, poderíamos citar aqui a dança tailandesa, um espetáculo de enorme expressividade ligado às celebrações religiosas e à agricultura e que teve papel importante como integrador entre cultura e costumes do país, bem como a dança havaiana, sabe, aquela do hula hula? E que é baseada numa religião ancestral do povo havaiano, totalmente baseada em crenças, orações e amor à Mãe Natureza, estão ligadas ao ser feminino.

Mais próximo a nós, é só lembrar das danças indígenas, que preconizam o corpo como uma a ligação física entre a alma e o mundo exterior. Elas representam a maneira pela qual o homem se projeta na sociedade, colaboram na preservação da memória e das tradições e celebram ritos de passagem, saudações festivas e celebrações sagradas, cada qual a seu modo.  Muito embora não seja permitido às índias participar das danças sagradas, elas se fazem presente nos demais rituais com adereços, acessórios e pinturas de características femininas.

O dia a dia da atual sociedade brasileira é repleto de herança das danças africanas, trazidas nos navios negreiros com seus porões abarrotado de homens e mulheres escravizados que mesmo debaixo de chicote se recusaram a abandonar suas raízes e renegar suas origens. Para esses cerceados na sua liberdade, a dança significava a retomada da essência da vida nas aldeias e a tentativa de preservar a unidade entre seus membros.

Como na época da escravidão toda e qualquer manifestação da cultura negra era reprimida, principalmente se tivesse uma conotação de luta, para camuflar a sua prática os negros incorporaram instrumentos musicais. Lutar o negro não podia, mas dançar, ah, quanto a isso não tinha problema. Então, o negro lutava, dançando! A Capoeira é a melhor expressão desse drible à tirania através da dança. E quer coisa mais brasileira e mais linda do que a passista sambando na avenida ao som da bateria cadenciada? Pois é, a malemolência que atrai turistas do mundo inteiro ao carnaval brasileiro é de origem africana, adaptada aos nossos costumes.

 

No Brasil o que não falta são estilos e ritmos em que as mulheres dominam o cenário. É riquíssimo o acervo de danças folclóricas e populares de cada cidade, cada povoado e cada comunidade brasileira. Mães, avós e antecedentes são fontes seguras de muitas histórias adormecidas pelo tempo. Nesse sentido. “Cutucar” a memória de nossas ancestrais pode trazer à tona muita dança que se perdeu no tempo.

E você, já seu escolheu um ritmo para chamar de seu?

Dançar, além de combater o estresse, melhorar a capacidade cardíaca, colaborar na perda de peso, melhorar o equilíbrio e a flexibilidade, traz benefícios inimagináveis para a autoestima.

Sim, porque a dança é capaz de te convencer que você é muito mais poderosa do que imagina!

Dançando, nos sentimos únicas!

Dançando, afagamos a nossa alma!

Dançando, rompemos os grilhões da repressão e da timidez!

Dançando, somos mais femininas!

Podem falar, podem rir de mim, mas eu vou por aí me requebrando, balançando as cadeiras e sacudindo a cabeleira.

Está esperando o quê, mulher? Levanta dessa cadeira!

Rebola que melhora!

Téia Camargo

 

 

Fontes:

http://dancas-africanas.blogspot.com.br/

http://www.casajaya.com.br/dancas-femininas-a-danca-da-natureza/

http://www.turismotailandes.org.pt/4_sec2_danza.html

http://hrarteeculturaoriental.blogspot.com.br/p/eventos-2010.html

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *