nov
23

De uns tempos para cá quase tudo e quase todo mundo é merecedor do carimbo de top.

Colocou uma blusa nova? Blusa top! Clareou os dentes? Sorriso top! Caprichou na maquiagem? Make top! A amiga (que às vezes nem é tão amiga assim) apareceu na foto ao lado de uma suposta celebridade? Best top! Postou foto do sanduba com fritas da lanchonete badaladinha do momento? Gastronomia top!

É top pra lá, top pra cá, até que uma bela manhã eu acordei, abri minha página no facebook para verificar as curtidas os comentários, os quais sempre curto e quando me sobra um tempinho até consigo responder, e me deparei com a seguinte mensagem: “Téia, querida, você é uma escritora top!”

Na hora, pensei: top, eu?

Como é que uma pessoa que começou a escrever sem nenhuma pretensão há pouco mais de dois anos pode ser chamada de top? Pensei!

O que significa, precisamente, ser top?

Chata e metódica do jeito que sou, lá fui eu pesquisar sobre a origem do termo, o conceito, suas utilizações, etc. e tal e minha conclusão foi um pouco bizarra, pois caminhou no sentido contrário ao da intenção carinhosa e entusiasta da leitora gentil que, imagino, tenha querido atribuir a mim o auge, o cúmulo, a superioridade máxima no ramo literário.

Devo esclarecer que não estou nem de longe desmerecendo o elogio feito pela minha fã do facebook. Muito pelo contrário! Adorei, me senti muito prestigiada, mas ela conseguiu despertar em mim a famosa “pulga atrás da orelha”, me levou a refletir sobre o assunto e a chegar à belíssima conclusão de que eu, como autora, estou muito distante, mas muito mesmo, de chegar ao topo e muito “verde” para ser chamada de top.

Além disso, minha intenção é percorrer o caminho em direção ao cume com parcimônia, passo a passo, cuidando para evitar tropeços, atenta às armadilhas, subindo com calma, respirando, olhando a paisagem ao redor a cada pausa para o descanso, maravilhando-me com o cenário do entorno, protegendo-me das intempéries e se um dia, quem sabe, eu atingir o ponto máximo, o ponto “top”, isso significará que dali não poderei mais avançar.

Top é topo, é limite, é final de caminhada, é objetivo final, é a partir de onde se alcançou o extremo e não há mais nada, a não ser a descida, a ladeira abaixo.

Muito frustrante a minha conclusão sobre ser top, não acham?

Quero ser top não, minha gente! Agradeço muito o enaltecimento, fiquei bastante lisonjeada, mas minha auto avaliação não me permite abraçar esse termo.

Quero apenas seguir em frente, de preferência ao lado de vocês, sem perder minha essência, sem abrir mão dos meus princípios, sem passar por cima de nada, sem atropelar ninguém, para alcançar, se possível, o coração dos meus queridos leitores o que, se acontecer, me levará à realização completa.

Nada de ser top! Prefiro ser apenas eu mesma!

Téia Camargo

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