Especula-se que o avião que transportava a equipe da Chapecoense e os profissionais da imprensa tenha caído por falta de combustível.

Especula-se, ainda, que a economia de combustível fosse uma prática contumaz da companhia aérea, visando oferecer viagens a preços atraentes.

Confirmando-se tais especulações, o preço dessa irresponsabilidade terá sido a morte de dezenas de pessoas e feita a pergunta se adotar tal estratégia inconsequente teria valido a pena, imagino que a resposta de qualquer pessoa razoável, em sã consciência, seja um convicto não.

É impensável que alguém arrisque a própria vida e a de tantos outros apenas por dinheiro, não é verdade?

Sem desmerecer o sofrimento dos familiares e amigos das vítimas dessa pavorosa tragédia e longe de justificar a decisão sovina e descabida, caso ela seja confirmada, este é um bom momento para refletirmos sobre os tantos riscos que corremos no nosso dia a dia e que fazem com que nos comportemos de forma inconsequente, leviana e imprudente, mesmo quando o objetivo final não visa o lucro e não é movido pela ganância.

Invariáveis vezes nos encontramos no limiar entre o aceitável e o condenável; não raro nos expomos de maneira desnecessária sem medir consequências e vez ou outra, por negligência ou arrogância, caiu em armadilhas que assistimos ser armadas a nossa volta.

Quem não conhece aquele que não se importa em tomar algumas latinhas de cerveja acreditando que isso não comprometerá a direção na viagem de volta para casa com toda a família dentro do carro? E o que dizer do motoqueiro “costurando” no meio do trânsito apressado, tentando mais uma entrega antes do término do expediente? A toda hora sabemos de alguém inteligente, sensato e bem informado, que colocou toda a poupança da família num investimento que prometia um lucro astronômico, ainda que todos tivessem alertado para o fato de que aquilo parecia ser um golpe e você na certa já deve ter ouvido falar em como é habitual para o caminhoneiro permanecer acordado a base daquela anfetamina cujo apelido é “rebite” e que lhe permite dirigir por horas seguidas, sem descanso, para garantir o prazo da entrega ou a graninha extra no final da viagem, não ouviu?

Em que pese o gosto pela aventura, a adrenalina, a usura, a insensatez ou lá qual for o motivador dessas atitudes pouco recomendáveis, quando as coisas fogem ao controle e rompem a linha tênue que separa a responsabilidade da falta de bom senso, o preço a pagar é quase sempre muito alto.

Grandes tragédias coletivas ou dramas individuais solitários repetem-se a cada instante mundo afora causando dor, sofrimento e marcando as pessoas com sequelas físicas e emocionais pelo resto de suas vidas.

Parece que nunca foi tão importante estarmos atentos ao nosso sinal particular de alerta. Aquele que faz a luz amarela da precaução se acender, avisando-nos quando é melhor parar, retroceder ou desistir.

Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, diz o velho ditado.

Respeito, responsabilidade e cumprimento das normas básicas de convivência em sociedade também não.

Téia Camargo

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