Garanto que o prezado leitor conhece alguém que se deixou enganar por um golpista que abusou da ingenuidade ou da confiança da vítima, tenha sido pela internet, pelo telefone ou mesmo “tête a tête”, como se costuma chamar o contato pessoal.

Por vezes  esses golpes são elaborados de forma tão ardilosa, que até o mais esperto cidadão se deixa envolver pela lábia, carisma ou malandragem do especialista em ludibriar, iludir e induzir pessoas a cederem determinadas informações que, via de regra, não o fariam com facilidade.

Acredito que eu não esteja relatando nenhuma novidade, não é mesmo?

Mas esta semana eu fiquei estarrecida ao saber que essa prática inescrupulosa de manipulação das pessoas para obter vantagens ilícitas recebe o nome de ENGENHARIA SOCIAL, o que me pareceu, em princípio, ter a intenção de fazer com que essa sem-vergonhice toda pareça alguma coisa respeitável.

Referido termo surgiu na década de 90 divulgado por um hacker, de quem me recuso a escrever o nome, pois não faço apologia desse tipo de gente. Também não poderia ser diferente, pois os profissionais decentes que trabalham em prol da ciência e da sociedade não se prestariam a nomear desta forma tal conjunto de ações maledicentes.

A Engenharia, meus amigos, é uma atividade científica que visa a aplicação do conhecimento econômico, social, matemático e prático, preocupando-se com os processos de criação, aperfeiçoamento e implementação de utilidade e edificações que permitam a melhoria da sociedade como um todo e por mais que suas áreas sejam abrangentes, jamais abrigaram dentre seus ramos especializados uma tecnologia a serviço do mal.

Que me desculpem esses pretensos senhores “engenheiros sociais”, mas o que essas pessoas fazem não é ciência coisa nenhuma, mas sim picaretagem da melhor qualidade.

Tomemos como exemplo o jovem executivo da empresa que administra um dos maiores conglomerados do ensino superior privado que há poucos dias, em entrevista, declarou sem a menor cerimônia que durante o processo de reestruturação da empresa, contando com parcos recursos para tanto, a companhia realizava um processo seletivo de consultorias, ouvia as ideias, não contratava ninguém e aplicava essas ideias “sugadas” do incauto candidato, implementando-as.

Deixo aqui, a título de ilustração, o link do vídeo da referida entrevista para quem tiver interesse em ouvir essa barbaridade.

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/5681217/ceo-maior-empresa-educacao-brasil-diz-como-trapaceava-consultorias-veja

Pergunto a você: existe diferença entre esse tipo de comportamento e o ataque cibernético que rouba a senha do banco causando prejuízo ao cliente e lesando o mercado financeiro?

Como se não bastasse o cuidado que precisamos ter com o sigilo de nossas informações pessoais, com toda sorte de ligações mal-intencionadas que recebemos, com a violência rotineira que nos ameaça, parece-me que também precisamos tomar muito cuidado com quem se aproxima de nós tentando conhecer nossas ideias e planos.

Dizem que cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. É bom acrescentarmos nesta lista uma boa dose de desconfiômetro, bem como incluir o silêncio, que sempre valeu ouro e que mais do que nunca precisa ser enaltecido por trazer com ele a garantia de nossa paz e sossego.

Engenheiro é engenheiro! Mau-caráter é mau-caráter!

As duas coisas não se confundem e ponto final.

Um comentário para “Você sabe o que é Engenharia social? Se não sabe, está correndo um grande risco!”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *