Alguém sabe dizer como começou, quem inventou ou por qual motivo estamos sempre nos justificando?

Repare bem! Se hoje, até o presente momento, você ainda não se justificou para alguém é bem provável que o faça até o final do dia e caso isso não aconteça, de amanhã não passará. Pode apostar!

Acabei de mandar uma mensagem para o meu personal trainer solicitando a possibilidade de alterar o horário do treino físico desta tarde das 17h para às 18h. Coisa boba. Era só eu requerer a troca, ele me responder sim ou não e o assunto estava resolvido.

Mas não! Eu relatei os motivos pelos quais desejava a mudança e ele elencou suas razões para aceitar minha proposta. Ao final, me perguntei: havia necessidade de tanto blábláblá para uma simples alteração no horário da aula de ginástica?

Óbvio que a cortesia de esclarecermos possíveis transtornos gerados por alterações, rompimentos ou mudanças de planos nos força a esclarecer certos atos e ações, sem contar que nas relações trabalhistas e contratuais o fato de não legitimarmos faltas, atrasos, doenças e outros casos fortuitos e alheios à nossa vontade nos impõe ônus punitivo, por vezes severos, ou até definitivas em relação ao contrato.

Ainda assim, tenho percebido que nos explicarmos o tempo todo para todo mundo vem se tornando uma obrigação comportamental esperada pela sociedade.

Estabeleceu-se a cultura do “é porque isso é porque aquilo” e sem que percebamos muitas de nossas frases começam com essa expressão ou outra parecida.

Se você está pensando em pedir dinheiro emprestado para alguém, não ouse dispensar provas inequívocas da mais absoluta necessidade do montante, ainda que você seja confiável, que possua alta credibilidade e tenha a mais firme intenção de cumprir o cronograma de devolução.

Ninguém dispensa a famigerada justificativa, mesmo que ela seja uma desculpa esfarrapada ou uma mentira deslavada.

Estamos nos acostumando a conviver com a desconfiança, com a exposição de nossos problemas e dificuldades e, não raro, com a humilhação e a falsidade.

A partir de hoje vou experimentar não me justificar com tanta frequência e fazê-lo apenas quando estritamente necessário. Serei sincera nas minhas colocações, austera nos meus pedidos e autêntica nas minhas respostas.

Pode ser que eu esteja errada, mas acredito que se nos justificássemos menos, não haveria tanta hipocrisia e como hipocrisia significa “fingir sentimentos”, quanto menos fingimento, melhor.

Mas, como eu disse, pode ser que eu esteja errada.

Vamos ver!

Depois eu conto para vocês o resultado da experiência.

Téia Camargo

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