Queridos leitores, em homenagem à série Mulheres que realizam, desejaria compartilhar junto a vocês a experiência de uma amiga e irmãzinha do coração. Tenho a plena certeza que irá inspirar a vida de muitas vocês a redescobrirem tesouros até então escondidos, através, dessa linda experiência.

Vamos à apresentação dessa mulher que realiza:IMG_8082

 

Raquel Otoni Araújo, graduada em Psicologia (2012) e mestre em Sociologia Política (2014) pela Universidade Vila Velha (UVV); terapeuta em EMDR (2015). Voluntária da ONG MAIS entre 2010 e 2015, liderando equipes ao Haiti e realizando atendimento psicoterápico individual e grupal a refugiados e staff da ONG. Pesquisadora do Núcleo de Estudos Urbanos Socioambientais (NEUS/UVV). Consultório particular desde 2015.

 

1 – O que lhe motivou a ir em missão ao Haiti?

Desde criança, sempre me interessei por histórias de missionários e sempre tive pessoas próximas que trabalhavam com isso como boas referências. Quando o terremoto aconteceu, em janeiro de 2010, um amigo próximo da família começou a recolher doações e a mobilizar equipes para ir ao país. Ele me convidou e eu aceitei de primeira, mas só consegui ir em julho daquele ano. Me apaixonei por aquelas pessoas, deixei meu coração com eles. Desde então, já fui ao Haiti oito vezes.

2 – Como esse contato com essa realidade mudou sua forma de ver a vida?

Me mudou como pessoa. Aprendi que cada momento pode ser o último. Reconheci minha coragem. Passei a ver que a vida pode ser bem mais simples e, mesmo assim, intensa. Me tornei bem mais humana e aprendi a me encontrar com Deus onde menos esperava. Sou outra Raquel depois do Haiti, lá é minha Nárnia.

3 – O que você tem tirado de lição prática dessa experiência em sua vida?

Hoje se fala muito em desconstruir conceitos e ideias, mas, tendo estado em um país desconstruído por uma tragédia, sei que a vida se torna insustentável se não há nada sólido e basilar. Então, aprendi que melhor que desconstruir é viver em construções constantes que se permitem ser reconstruídas, quando necessárias.

4 – Como você se sentiu em ter sido em algum momento a voz daqueles que não tinham, diante da calamidade que assolou o Haiti?

Me senti honrada. O Haiti virou meu tema de palestras, aulas e trabalhos acadêmicos (inclusive com publicações internacionais). Uma professora da banca que avaliou minha dissertação do mestrado disse que não conseguia me ver separada do país (o Haiti não foi o tema da dissertação, só parte da introdução). Então, é gratificante saber que, mesmo longe, ainda posso falar sobre o tema e envolver outras pessoas naquilo que me envolveu.

5 – Como hoje a menina que diante de tantas experiências e vivências marcantes se tornou uma mulher, pode resumir sua trajetória?

Minha trajetória é uma trajetória de surpresas. Eu era uma menina quieta e caseira e, de repente, saí desbravando lugares que não conhecia, como se já fosse de casa. Eu era improvável para mim mesma, mas me surpreendi com o quanto amadureci neste processo.

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Finalizo esse post, com a plena certeza que iremos ser contagiadas e inspiradas com essa linda experiência, e que, através desse relato possamos compreender que o céu é o limite para todos os nossos sonhos, basta somente nos apoderarmos de quem realmente somos!!!

Beijos e até o próximo post!!!

Ellen Cristi

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