Minha lição uma vez no curso de alemão trazia dois pequenos textos sobre a vingança.

O primeiro sobre uma mulher que descobre a traição do marido e vinga-se dele jogando tinta em seu carro e distribuindo os vinhos da caprichada adega do traidor pela vizinhança. No segundo, um casal rompe o namoro e parte para a disputa de pequenas vingancinhas entre si.

No final da leitura, a fatídica pergunta: “Você é uma pessoa vingativa? ”.

Quem nunca sentiu um desejo incontrolável de vingança que atire a primeira pedra.

Mas entre sentir vontade e colocar em prática um plano punitivo para causar sofrimento igual ao maior a quem nos impingiu algum mal empregando nele toda nossa energia vital, há uma longa estrada em direção ao obscuro caminho da ruína emocional.

Afinal, qual o objetivo da vingança?

Uma forma de buscar justiça ou o desejo ferrenho de retribuir o mal com o mal? A reparação de um dano visando aplacar o sofrimento?  Ou seria alcançar o intento com o objetivo de recuperar a paz de espírito?

Dúvidas e incertezas permeiam as respostas a esses questionamentos.

Viver focado no espírito de retaliação faz alimentar o rancor e fomentar uma carga negativa poderosa capaz de impedir a visão de um novo horizonte para além daquele limitado por este esforço paralisante.

O pior é quando – e isso ocorre na maioria das vezes – o causador do fato que gerou a vingança nem ao menos se deu conta do que provocou e se o fez de forma voluntária, não está nem aí, como se diz no popular.

É certo que há situações dolorosas demais que causam feridas na alma.

Mas ainda assim, será que vale a pena perder tempo com quem não merece nossa confiança, nosso afeto ou sequer um minuto de nosso pensamento?

Não seria preferível deixar de remoer o fundo da mágoa e investir o tempo gasto com os planos de vingança em atividades que promovam felicidade pessoal?

Talvez não seja o caso de esquecer, pois a experiência por pior que seja sempre vale como lição, mas de relevar, de perdoar, em prol de viver com mais leveza, menos mágoa e acidez.

Dizem que a vingança é um prato para se comer frio.

Mas é preciso ter muito cuidado sobre essa consideração que a compara a um alimento, pois além de não possuir nenhum nutriente, a vingança, consumada ou não, é bem capaz de causar uma baita indigestão na alma.

Téia Camargo

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