Eu tinha pouco menos de vinte minutos para efetuar uma compra mais do que necessária e adentrei a loja feito um furacão.

Para minha sorte não havia nenhum outro cliente e as quatro vendedoras, assim como a caixa, estavam disponíveis. Ainda assim, as chances de conseguir meu intento em tão escasso tempo eram diminutas.

Logo uma moça simpática prontificou-se a me ajudar e veloz, seguiu em direção ao estoque. Foi então que lamentei em voz alta que também precisava adquirir um presente, mas não haveria tempo para tanto. Outra das vendedoras, voluntária, apresentou algumas opções, enquanto a primeira não retornava.

Admirada com a atitude solidária da jovem, em segundos escolhi o que levar e ao demonstrar preocupação com a natural demora do embrulho elaborado, uma terceira funcionária, de imediato, recolheu a mercadoria, dedicando-se a empacotá-la com capricho.

Àquela altura, minha correria começava a ser ofuscada pelo espírito colaborativo que permeava a equipe e me permiti alguns segundos de reflexão sobre o que ali ocorria, pois na pressa, muitas vezes deixamos escapar pequenos gestos que se traduzem em enormes atitudes.

Gestos de auxílio, solidariedade e colaboração que promovem atitudes como a união, a bondade com o próximo, a disponibilidade em fazer pelo outro, mesmo sem a garantia da retribuição imediata, aquele sentimento de identificação com a necessidade do semelhante.

O que deveria ser natural, tem se tornado excepcional e é cada vez mais raro nos depararmos com situações gentis e espontâneas como a dessas moças.

Não pude deixar de verbalizar meus agradecimentos àquelas que não pouparam esforços em garantir minha satisfação e, sobretudo, minha admiração por terem se organizado para ajudar a colega que, diga-se de passagem, seria a única que receberia comissão sobre a venda realizada.

Sorridentes, elas não se fizeram de rogadas e com uma naturalidade comovente, unânimes, afirmaram: “hoje nós a ajudamos, amanhã será ela a nos ajudar”.

Entrei naquela loja apressada, afobada e um pouco descrente e saí dela, leve, calma e com a confiança restabelecida na crença de que talvez nem tudo esteja perdido e de que talvez a raça humana ainda tenha salvação.

Afinal, isso só depende de nós, nossos atos e nossas atitudes!

(Inspirado nas vendedoras da Loja Jogê, Shopping Eldorado/SP, responsáveis por esta maravilhosa vivência)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.